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Wednesday, June 1, 2011

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA


Comemora-se hoje. Todos sabemos. É um daqueles dias luminosos em que nos passam pelos olhos imagens de crianças a sorrir, felizes, bibes e chapéus coloridos, o tagarelar e o cantar despreocupados. Comparamo-las aos passarinhos que aqui na minha rua se ouvem a toda a hora. Mas também nos chegam outras imagens bem mais soturnas de crianças soldados, crianças a trabalhar debaixo de sol escaldante ou em fábricas de tapetes com temperaturas impiedosas e olhos do tamanho do mundo.
As crianças são a alegria das famílias, nunca me lembro de não ter crianças por perto, os meus filhos, amigos deles, crianças do infantário da minha escola, sobrinhos, etc. Sempre achei que eram muito especiais, inteligentes, sensíveis, espontâneas e desarmantes.
Os meus netos são muito diferentes e cada um deles tem uma personalidade muito própria. Felizmente podem expressar os seus sentimentos e qualidades em campos tão diversos como a música, os trabalhos manuais, o desporto, o ballet ou o piano. Os pais defendem-nos
de alguns vícios da era actual como a TV ou hábitos perniciosos de deitar tarde ou ver filmes violentos e telenovelas. Mas eles vingam-se, quando vão a casa dos avós, exigem ver o Canal Panda, sem o qual as visitas não são tão saborosas...:)
Vivi numa família cheia de crianças, éramos oito filhos. Lembro-me de ter de partilhar tudo com os meus irmãos, até os bolos ao domingo, livros, vestidos, festas, etc. Nada era muito privado, todos sabíamos tudo acerca dos outros e cada uma das nossas acções assumia importância para o colectivo.
Lembro-me de ir à praia, de andar por Sintra, visitar famílias amigas dos meus pais, ir à Missa aos Jerónimos, rituais que perduraram durante anos. Só na adolescência, começávamos a indagar se os Pais tinham sempre razão e se não haveria outros caminhos a desbravar. Era apenas uma tentativa tímida, pois os tempos eram outros e os adolescentes não tinham tanta liberdade.

Hoje resolvi voltar à poesia da minha amiga Regina, especial para crianças:

Perguntaram à Maria

o que era a poesia

e a Maria respondeu:

É saber olhar o Céu,

ouvir as ondas do mar,

e sentir a maresia,

as aves a chilrear,

desde que o sol se levanta,

deixar a areia escapar

por entre os dedos da mão,

é saber ouvir o vento

que traz sempre uma mensagem

quando chega de viagem.

É acarinhar a terra,

cada animal, cada planta,

cada pedra, cada rio.

É cantar ao desafio com o melro,

o gavião, e também a cotovia,

o pardal , o rouxinol.

É saudar o arco-írisnum dia de chuva e sol

In Ciência para meninos em poemas pequeninos

FELIZ DIA PARA TODAS AS CRIANÇAS DO MUNDO!

Wednesday, June 9, 2010

DIA de CAMÕES


Estátua do Homem do Leme - Foz do Douro
Quando andava no liceu, tive de estudar os Lusíadas, como todos os alunos que naquela altura frequentavam o ensino oficial. Os Lusíadas tinham o seu quê de tenebroso para uma menina habituada a ler romances - mais do que qualquer outro tipo de leitura - e mesmo esses , escolhidos pela minha Mãe ou irmãs. Era o tempo das Berthe Bernages, das Pearl Bucks , tudo muito soft e construtivo, para não dizer politicamente correcto. Lia muito, muito, mas tudo demasiado optimista e cor de rosa.
Os Lusíadas, ensinados pela minha professora, uma senhora de Trás-os-Montes com cultura para dar e vender, muito formal, mas excelente professora, encantaram-me. Adorava os pequenos episódios entre os deuses, os pedacinhos da História de Portugal que iam surgindo e que ela nos explicava dum modo empolgante, as lutas entre Marte e Vénus...era como um jogo de computador em que havia vencedores e vencidos. Depois havia a sintaxe, os exercícios que fazíamos sobre as frases em que o sujeito e predicado andavam a monte e era preciso uma lupa para os encontrar :)). E onde é que estavam os apostos....e os complementos circunstanciais de lugar e de modo??? Tudo empolgante para mim que adorava literatura. Tirei a melhor nota a Português no exame de 5º ano do meu liceu - 17,4. Fiquei maluca! Queria estudar Românicas, mas não existia essa alínea, só a de Germânicas. Fui estudar Inglês e Alemão. Mas continuei entusiasmada pela Literatura Portuguesa, tendo arrancado um 18, a melhor nota do 7º Ano. Não conto isto por vaidade, mas para mostrar como amava a nossa língua. Em Inglês tive 12 na escrita!!!

Mais do que os Lusíadas, fiquei apaixonada pelos sonetos de Camões. Como é que um homem que escreveu no sec XV, consegue ser actual nos tempo de hoje, para lá da maravilha silábica que segue todas as regras, a rima, e o conteúdo de cada poema!

Quando tinha 9 anos o meu avô meteu na cabeça que nós havíamos de aprender poesias de cor. Éramos seis irmãs e cada uma tinha a sua. A mim coube-me a que se segue. Ainda hoje a tenho na memória e é das que mais gosto:


Sete anos de Pastor
Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
Que a ela só por prémio pretendia.

Os dias na esperança de um só dia
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe deu Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Assim lhe era negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida;

Começou a servir outros sete anos,
Dizendo: − Mais servira, senão fora
Para tão longo amor tão curta a vida.



Hoje acredito no Amor. Já não acredito tanto na perseverança em conseguir realizar os nossos sonhos. Mas um poema não tem de ser real nem pragmático. O Amor existe. E o poeta finge que acredita.

Sunday, March 21, 2010

Dia Mundial da POESIA

Coincide com o Dia da Árvore e o começo da Primavera....está um dia maravilhoso e daqui da minha janela só vejo árvores esvoaçando levemente na brisa morna das 2 da tarde. Quietude, solidão auto-procurada.
Estive a ler umas cartas de Van Gogh do site que vos aconselhei veementemente - é fantástico - e estou nostálgica, um pouco deprimida, não conseguindo aceitar que um génio capaz de pintar e desenhar como ele, tenha tido uma vida tão criativa mas tão desprezada, simultaneamente. Não havia compradores para obras tão luminosas. É inacreditável.



A ti Van Gogh,vai aqui um dos meus quadros e um poema da minha amiga Regina, que mo mandou neste dia Mundial da Poesia.

CAMINHO

Oculto no tempo está o caminho

que eu hei-de seguir,

quando me perder

por entre os meandros da minha memória.

Envolta no tempo ou no seu reverso,

eu hei-de partir

para outro universo,

noutra dimensão,

em que o pensamento,

sem grades, algemas,

possa vaguear com asas apenas,

adejar num cosmos pleno de harmonia,

poeira estelar a gerar poesia.


Regina Gouveia