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Tuesday, October 12, 2010

Mar

A minha paixão pelo mar é ilimitada, como ilimitado é o próprio mar, que, diante de nós, só acaba na linha do horizonte. Nunca tive paixão pelo campo, embora goste de sentir o cheiro e a liberdade dos verdes sem fim. Estive muitas vezes nas montanhas, nos Alpes da Baviera, que me atraem e repelem simultaneamente, a brancura encanta-me mas a proximidade do céu assusta-me. Sinto claustrofobia num espaço imenso, o que é um paradoxo.
Nunca pintei montanhas. Já pintei o mar e os campos ou florestas. Desta vez optei pelo primeiro e gosto da imagem do mar neste quadro em acrílico.



E um poema que exalta o mar como eu nunca saberia descrevê-lo.

Carta ao Mar

Deixa escrever-te, verde mar antigo,
Largo Oceano, velho deus limoso,
Coração sempre lyrico, choroso,
E terno visionario, meu amigo!

Das bandas do poente lamentoso
Quando o vermelho sol vae ter comtigo,
- Nada é mais grande, nobre e doloroso,
Do que tu, - vasto e humido jazigo!

Nada é mais triste, tragico e profundo!
Ninguem te vence ou te venceu no mundo!...
Mas tambem, quem te poude consollar?!

Tu és Força, Arte, Amor, por excellencia! -
E, comtudo, ouve-o aqui, em confidencia;
- A Musica é mais triste inda que o Mar!


António Gomes Leal, in 'Claridades do Sul'

Thursday, August 19, 2010

Até ao Monte


Dantes uma das imagens mais turísticas da Madeira era a eterna foto dos cestos com 4 homens a empurrarem os turistas pelas ladeiras abaixo, como se não houvera nada mais bonito para mostrar desta bela ilha. Sempre me chocou que para ganharem dinheiro as pessoas se sujeitassem a dar cabo das costas e dos braços e que outras permitissem ser transportados dessa maneira sem necessidade nenhuma. Infelizmente esse divertimento mantém-se, embora haja agora um teleférico que sobe do Jardim Botânico até ao Monte e depois desce até ao Funchal.
O Botânico é impressionante, tanto pela flora rica e espécies raras que contém - palmeiras, quências, antúrios, estrelícias, fetos, cóleos, bananeiras, buganvílias, mimosas, árvores enormes, com raízes entrelaçadas e a perder de vista como pela sua localização a uma altura impressionante todo em socalcos e em declive. Os jardins de buxos e flores são lindíssimos, embora não sejam das coisas que mais aprecio, gosto mais dos jardins à inglesa, simples, sem floreados.
Lá mesmo em cima - porque para visitar o jardim tem de se subir e subir e subir :))-, há um miradouro e uma casa de chá com bolinhos simpáticos. Mais acima ainda fica a casa do teleférico, donde parte a cabina. Estava vazia e a minha filha e eu aventurámo-nos a entrar e sentar. Partiu logo e daí a pouco estávamos a 600 metros do nivel do mar, a pique sobre desfiladeiros íngremes e cheios de vegetação.Breathtaking, diriam os ingleses, não dá para quem tenha vertigens, mas é uma sensação muito especial.
Lembrei-me do teleférico do Tegelberg que subia as montanhas dos Alpes alemães, com uma vista de cortar a respiração. Lindo!!