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Saturday, June 25, 2011

7 da manhã


Acordei muito cedo e não me apeteceu ficar na cama, doem-me s costas, o que é uma constante, hoje em dia. Só espero não ter nenhuma doença grave que provoque este tipo de dor, atribuo-a sempre a artrose, má posição, almofada pouco recomendável ou velhice. Infelizmente lembro-me sempre duma amiga que faleceu aos 50 anos com um cancro dos pulmões e que apenas se queixava de dores nas costas meses antes de tudo acontecer. Segundo a minha médica o cancro é uma doença terrível porque não dá sinais assustadores, a não ser quando já está muito adiantado.
Bom,mas falemos de coisas mais alegres.

Silêncio total aqui na rua, não se ouvem sequer os autocarros, que constumam descer o Campo Alegre a uma velocidade grande. Rua vazia. Domingo de manhã. Há menos gaivotas agora, já não piam....será que encontram comida na Foz, finalmente? noutros lados? As árvores estão mudas e quedas como cadáveres, nem uma folhinha se move. Verde claro, muito verde escuro, tons um pouco iguais no Verão...céu azul claro, alguma neblina vinda do rio.

Gosto muito das manhãs, do cheiro das plantas que aqui abundam, desde o alecrim à alfazema, rosas,lantana e madressilva há-as todas por aqui.Graças a Deus.

Fica aqui uma canção das mais poéticas que conheço em louvor da natureza. Um bom domingo para todos:

Tuesday, February 1, 2011

De volta a Serralves

É sempre uma fuga....como as de Bach, belas e misteriosas.
Ir a Serralves é para mim como visitar uma mesquita oriental ou uma igreja gótica. Uma experiência mística. Sobretudo quando vou sozinha e posso escolher o percurso, ignorar as vozes, embeber-me de Arte, de modernidade e saber mais.
Fui a pé para lá, 45m a andar pela Rua de Serralves que é feia, tortuosa e suja. Nada que se compare com a Av. Marechal Gomes da Costa, que é para mim, a avenida mais bonita do Porto, com as suas árvores centenárias. É lá que fica a entrada do Museu de Arte Contemporânea.

Ir a Serralves é ver dois tipos de obra de Arte: a criação do Homem, expressa em pintura, fotografia, escultura, videos ou filmes e a Criação dum God Almighty, que, segundo a minha Fé, habita na Natureza e se expressa através dela. As fotos que tirei hoje pôem a par essas duas vertentes, qual delas a mais interessante, original e digna de louvor.

A exposição " Ás Artes, Cidadãos" não me disse muito. É um documentário vastíssimo de fotografias,excertos de filmes, artigos dos jornais de época, depoimentos de pessoas, simbolos das revoluções do seculo passado, tão extensa que levaria horas a ver pormenorizadamente.É boa para quem gosta de História e de Guerras.
A exposição " Estou vivo e sou Imortal" interessou-me muito. Nunca tinha nada visto nada no género, obras que se inserem nas correntes do Letrismo e da Scotch Art, esta última supreendente dentro da técnica da colagem. O Letrismo " é um estilo artístico cujos princípios foram desenvolvidos na Roménia pelo poeta, pintor e cineasta romeno Isidore Isou, em 1942, quando o artista tinha apenas dezesseis anos. O estilo tornou-se moda e espalhou-se pela Europa. Surge como oposição ao controle de André Breton sobre o Surrealismo e estende-e ao Dadaísmo, opondo-se à palavra e à significação, buscando o onomatopaico e o fonético. O movimento ganhou força e acabou migrando também para as artes visuais, onde obras experimentais com letras e pinturas se fundiram." ( Wikipedia)

Segundo li, Gil j. Wolman, inventou a técnica da "fita-cola"; servindo-se dela, conseguiu destacar títulos, texto, fotos, anúncios, etc em tiras que são depois coladas dum modo artístico, como se pode ver nestas fotos. Felizmente tive licença de as tirar e estive à vontade durante toda a visita. O livro publicado pela Fundação é excelente e custa 30 euros, apenas. Uma bela experiência para que gosta de originalidade e de fotografia.





Dei, depois, um passeio pelo Parque vazio e repleto de sol. As árvores no inverno dizem-me muito, sempre gostei de ver os ramos esguios contra luz num céu azul safira. Não havia uma núvem, o parque é um paraíso...vou lá pouco porque opto sempre pelo mar, mas passear num espaço destes, é como disse no início, uma experiência cultural e mística, que deixa a sua marca indelével na nossa psyche.

Friday, January 14, 2011

O silêncio

Há quem esteja preocupado com a minha situação de solitária empedernida, insistindo em que devo sair mais, conviver, dar-me com pessoas, ser mais social, ir a eventos, a vernissages, a exposições, a conferencias, juntar-me a grupos Zen, Pilates, Ioga, eu sei lá...há quem não compreenda que não somos todos iguais e que há momentos em que nos sabe bem o silêncio.

Hoje senti-o bem debaixo de água na piscina. Percorri a piscina dum lado ao outro por baixo. Não se ouve mesmo nada,a não ser o motor a bombar a água quente, os ruídos de fora desaparecem...uma calma fantástica invade-nos, uma sensação de libertação da poluição sonora que nos rodeia e asfixia tantas vezes. Se as pessoas só falassem quando é mesmo útil dizer alguma coisa...mas não: debitam-se opiniões, discutem-se banalidades, diz-se mal, critica-se sem se saber, 50% do diálogo poderia ser omitido sem prejuizo para ninguém....e há pessoas que não permitem nem admitem o silêncio.

Resolvi inscrever-me de novo no ginásio do Ipanema Park,

David Hockney - Water

um local quase privativo para quem vai de tarde, à hora a que vou. Não havia vivalma nem no ginásio, nem na piscina, nem na sauna....sendo perto da minha casa, é o local ideal para fazer exercício. experimentei a passadeira, onde andei durante 15 minutos e a bicicleta, que consegui pedalar durante outros 15m. Findos estes fui para a piscina onde fiz hidro-ginastica sozinha, durante meia hora e nadei outro tanto. Um bálsamo para o corpo, acredito na terapia da água, é melhor maneira de afastar as artroses e reumatismos que nos afligem. Senti-me outra.

Passei o resto da tarde com os meus netos em casa deles e jantei lá, contei-lhes a história antes de adormecerem e ainda deu para ouvir o meu filho tocar piano. A minha vida realmente pode apelidar-se de paradisíaca. Não preciso de muito mais para ser feliz. E só quero este silêncio!