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Sunday, February 6, 2011

Os horizontes do mar



Passei três horas ao pé do mar, numa tarde que bem podemos agradecer aos deuses, pois não acredito que haja muitas assim em pleno inverno no resto da Europa. Uma tarde linda, luminosa, prateada, com uma leve neblina a lembrar que não há vento, ondas altas, imponentes, fazendo um barulho ensurdecedor. E lá longe, o horizonte, sem medida, sem limites, infinito...

Há dias vi um documentário na RTP chamado : A Vida por um Fio, era a odisseia dum paraquedista que cai no meio do oceano e consegue salvar-se pela sua persistência, coragem e vontade de viver. Não sei o que será estar dentro da água e ver a linha do horizonte de baixo para cima, não ter um ponto de referência, apenas a água sem fim. Lembro-me que o homem se agarrava a um tronco que lhe parecera um crocodilo, mas que durante algum tempo, o ajuda a aguentar-se à tona. As tantas descobre que o tronco em vez de o ajudar a encontrar terra, o leva cada vez mais para fora em direcção ao horizonte e com lágrimas nos olhos larga-o para se entregar à sua sorte.

O mar é lindo...nunca me canso de o olhar...já nem vale a pena levar livros para a Foz, prefiro a música e a contemplação pura...o sol na cara, a paz duma esplanada cheia, sem música, senão a minha.

As gaivotas é que têm sorte. Andam por ali, na areia, de vez em quando nadam à tona das ondas e depois elevam-se em voo ritmado nos ares. São polivalentes. Sempre as invejei.

Á volta, no autocarro, os mesmos velhinhos do costume, com bengalas ou sem elas, muito engelhados, caras franzidas, rostos cansados, estiveram a gozar o sol deste dia glorioso. A avenida do Brasil parece uma festa de S. João, cá em cima anda meio mundo, casais, crianças, jovens, velhos; na esplanada não dou por nada, embrenhada na música: as ondas fazem ainda mais ruído de fundo e na nossa frente não vemos mais nada senão a linha do horizonte, sempre ali...infinita.

Monday, November 1, 2010

Depois da tempestade


É bem verdade....vem a bonança....hoje está uma tarde límpida, com nuvens lindas a ameaçar - só ameaçam - chuva e embelezam o céu e tornam tudo mais nítido, mais transparente e mais belo.
Tinha de sair numa tarde assim...até me apetecia ir no autocarro e ver os pinhais da Foz ( que não tem pinheiros, mas áceres, castanheiros e carvalhos) todos doirados e acobreados como acontece nesta altura do ano. Esperei algum tempo e constatei com pena que o muro do Botânico está cheio de grafitti, desfeia-o totalmente e é uma ofensa ao património de todos nós.
Na Foz estava pouca gente, talvez porque se fazia sentir uma brisa fresca marítima, mas o sol quando descobriu, era quente e forte, aquecendo a sério os que ousaram sentar-se nas cadeiras maravilhosas do bar dos Ingleses.


Ali estive a ver o bailado das gaivotas - muitas - que saltitavam e voavam na areia e por cima dos rochedos negros da praia. As ondas eram de borrasca, mas amainaram com o avançar das horas. Ouvi o Fantasma da ópera enquanto a bateria durou. É bom estar só ( espero que as minhas amigas não se entristeçam por preferir a solidão, por vezes), ouvir a voz da minha filha e companheira destas lides dizer lá do norte onde se encontra..."que bom, Mãe estar na Foz" - ou do meu filho mais velho "Que sorte, eu estou a trabalhar". É mesmo uma sorte poder usufruir destes prazeres simples.

À vinda fui ao Pingo Doce, comprar fruta e outras coisas que precisava. Trouxe-as num saco carro de compras do Chinês. Ali há tudo!

Friday, October 15, 2010

E a Foz aqui tão perto



Hoje fui comer qualquer coisa ao café, como de costume. O café não é nada de especial, um local bastante feioso, mas com esplanada em frente do Jardim Botânico, o que é, em si mesmo, um privilégio.
Estava ali sentada e pensei: Porque não ir à Foz, nada tenho de compromissos ( que bom estar reformada) está um tempo maravilhoso, sem vento. E calor a sério.

Meu dito, meu feito. Meto-me no autocarro acompanhada do meu IPOD novo ( Touch) e na minha Leica e lá vou eu no autocarro 200 que vai bem cheio de meninos das escolas.

No bar dos Ingleses, não há ninguém dessa nacionalidade, que eu repare, só portugueses. Mas na praia andam alguns turistas a passear e a ...namorar. Tudo muito calmo, uma leve névoa, onde pairam as gaivotas, mar chão com poucas ondas e petroleiros lá muito longe, mais sombras que navios.

É bom ouvir a música de Wim Mertens que o meu professor de pintura me emprestou e que gravei no Ipod e olhar para o mar. Ao sol. Enche-me de prazer quase físico...é uma pausa neste "concerto da crise" mais que desafinado e lamentoso.
Enquanto se puder ir à Foz ver o mar pela módica quantia de 1.60 euros, ainda não estamos mal. Mas se tomarmos um café e comermos um queque já pagamos dois euros, o que não é muito, pois podemos sentar-nos em deck chairs durante horas. Leio o Y do Publico, a única parte que me interessa hoje em dia...há concertos e teatro em todas as cidades, será que há dinheiro para os bilhetes? É impressionante a quantidade de espectáculos anunciados por esse país fora, com destaque para a minha cidade natal, como era de esperar. Já tenho saudades dum concerto da Gulbenkian ou na Aula Magna. Já foi há 35 anos que saí de lá!

Sunday, February 21, 2010

E a Foz aqui tão perto



É inacreditável. Em que parte do mundo é que se tem o mar assim tão perto duma segunda cidade do país, fazendo parte integrante da cidade, banhando-a de águas bem salgadas e tornando os nosso passeios em fulgorantes contactos com a Natureza?

Hoje resolvi ir fazer o meu passeio "dos tristes" ( não sei porque o apelidaram assim, pois todas as pessoas que vi estavam felizes e em paz).

O dia estava um pouco instável, com vento de sudoeste a prometer viragem, mas o céu tinha longas manchas azuladas,não chovia e a paisagem tornava-se animada, vigorosa e até encapelada.


Estive fora enquanto aguentei a aragem, depois fui para dentro, sentei-me nos belos pouufs do café dos Ingleses - o melhor café da Foz. Lá dentro parece que se está num barco, pois a varanda debruça-se sobre o mar e nem se vê a areia.





Mais tarde fui até à areia que estava limpinha como na época balnear- dizem que o molhe impede as destroços de virem para as praias, ainda bem. Não se via uma garrafa, uns sapatos, peixes mortos, nada se não seixinhos lindos, conchinhas e a espuma enorme, lindissima espraiando-se pelo areal.
Quando dei por ela, estava toda molhada até aos joelhos. Veio uma onda grande com que não contava e lá se foram as minhas novas sapatilhas do Lidl ( 4 euros) , e as calças de malha, meias, etc. Tudo a cheirar a mar....:))

O autocarro leva 10 minutos da minha casa a R. Do Farol, a 2 minutos da praia. Sei o horário e não espero nunca. É o ideal para não ter de arrumar carros, nem pagar um balúrdio por um taxi. Sou uma privilegiada por andar de autocarro, sem o minimo problema. Fazia-o em Lisboa, fi-lo em Londres, na Alemanha, em todo o lado, porque não aqui no Porto?

Por favor, cliquem nas fotos. Vale a pena!