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Sunday, February 20, 2011

Domingo à lareira

Sei que já estamos em Fevereiro e que não faz grande frio, mas hoje deu-me uma enorme vontade de acender a lareira.
Lá fora está uma tarde cinzenta e chuvosa, o meu filho dorme uma sesta a recompor-se de uma semana de "directas", com exames e trabalhos para apresentar todos os dias no CEJ. Veio ao Porto ao fim dum mês. Com ele vem a música country, as novas bandas, tão melodiosas e repousantes que me agradam plenamente, esquecida que estou do tempo em que ele ouvia rock no quarto e o meu ex- se preocupava imenso com a fase gótica, que atravessou.

Tudo passa, cheguei à conclusão de que não vale a pena dar grande importância aos adolescentes quando eles parecem não ter o mínimo interesse pela família e querem é que os deixem em paz. Este meu filho foi mais rebelde e , no entanto, é aquele que mais ligado está a mim, por ser o mais novo, por ter estado comigo sempre e eu com ele, mesmo quando foi para Braga estudar Filosofia, de que se arrependeu mais tarde, mudando para Direito.
Vem na sexta à noite, almoçamos junts no ´sabado, vai jantar com amigos, no domingo almoçar com o Pai, ouvimos música, brincamos sobre o facebook, lavo e passo-lhe as camisas, vemos futebol na TV quando o há , deitamo-nos as 2 da manhã e ... assim passa o tempo, um tempo que nos recompensa de muitas e muitas semanas de distância. Deus permita que seja sempre assim, que nada nos separe em termos afectivos, já que a vida vai necessariamente levá-lo para longe durante temporadas grandes. A vida de Juiz é dura e exclusiva, sei-o por experiência própria.

Ficam aqui duas bandas de que ele e eu gostamos muito: Alasdair Roberts, um cantor escocês que ainda agora tocou aqui na Casa da Música e Woven Hand, que já esteve em Lisboa:



Saturday, December 25, 2010

A lareira



Sinto-me muito privilegiada por ter uma lareira em casa. Não a utilizo tantas vezes quanto gostaria porque já me custa um pouco mantê-la acesa, manusear os tarolos com perícia, gerir a quantidade de pinhas e acondicionar tudo bem para que o oxigénio continue a alimentar a chama. É uma arte, que aprendi com o meu Pai que adorava acender a lareira na nossa grande casa nos dias de festa ou quando estava realmente muito frio. Ele queixava-se de que não fazia mais nada e não parava quieto , mas todo aquele processo lhe era grato pelo prazer que nós sentíamos em redor do fogo. Eu sinto sempre uma verdadeira fascinação e também me quedo a olhar para a dança das chamas a rodopiar à volta dos pedaços de tronco e a contemplar as pinhas incandescentes.
Ainda hoje de manhã fui apanhar pinhas com os meus netos para o jardim da Faculdade de Ciências, onde existe um pinheiro enorme , mesmo ao fundo, num cantinho. Este ritual já é tradiocional nesta época, há três anos até fui sozinha e dei de cara com as gárgulas à volta da fonte, que olhavam para mim com cara de espanto. Hoje, quando lá chegámos , o meu neto mais velho constatou quase a chorar que não havia pinhas nenhumas no chão e que a árvore estava carregadinha delas lá em cima, tão alto!. Mas foi teimoso e resolveu aventurar-se numa zona mais perigosa, com roseiras selvagens que o picaram. Resultou em cheio. Encontrou umas vinte pinhas por baixo duns troncos quebrados que o mais novo queria à viva força trazer para casa:). Assim já pude hoje à tardinha gozar do verdadeiro prazer que é não fazer nada diante do mistério da combustão da madeiraa morrer na minha lareira.
A minha amiga Regina deve ter escrito alguns poemas acerca deste fenómeno, eu só consigo viver o poema dentro de mim, sem nada escrever...

Wednesday, February 10, 2010

O FOGO



Sempre me atraiu e sempre me fez sofrer.

Tenho os chamados " mixed feelings" acerca deste elemento, mas quando me sento á lareira a ouvir música - quase todas as noites agora no inverno - vôo para um país diferente e sinto um conforto interior que quase considero privilégio nos dias de hoje.E é.


Uma das minhas piores experiências na vida foi precisamente um acidente com fogo em casa, há 25 anos. Foi dramático, causado por uma camilha que pegou fogo à alcatifa e fez arder metade da sala, onde tinha prendas do meu casamento e mobílias antigas da avó do meu marido. Sem falar dos manuais escolares que estava a fazer em cima da dita mesa e da caderneta dos alunos com as notas todas. Estávamos nas vésperas do Natal e eu tinha conselhos de turma para atribuir classificações. Um drama autêntico. Durante meses tive de aturar um marido desfeito, uma casa negra e sem lugar para estar, três crianças de 4, 5 e 8 anos que não compreendiam o que se tinha passado e porque é que a sala tinha desaparecido num ápice....e, semanas depois, as intermináveis obras em casa, a ausencia do marido que só vinha dormir a casa, a Escola, as aulas e os remorsos.
Não sei como sobrevivi. Mas cá estou!

Entrei este mês num challenge - concurso do Woophy - sobre o tema FIRE. Arrisquei e tirei várias fotos. Nenhuma delas sofreu alterações excepto a de cor preto e branco. Uma delas já foi muito apreciada pelos fotografos do Woophy, pode ser que ganhe:)). Cliquem nelas, são muito mais belas em formato grande.