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Tuesday, January 18, 2011

Porto a preto e branco - II




A cidade do Porto é uma joia, mesmo quando o tempo está cinzento, atraem-me os odores a maresia aqui na minha varanda, parece que estamos no alto mar e não foram os carros e autocarros que passam vertiginosamente no Campo Alegre, teria as janelas abertas todo todo o dia. A casa Andresen continua vermelha, escura e triste, só quando lhe dá o sol se anima um pouco, mas não posso deixar de reparar nela, pois é o edifício que mais perto fica da minha casa, mesmo em frente do meu apartamento. Felizmente não pintaram uma secção que fica um pouco mais abaixo e que acho linda, parece uma casa senhorial. Já lá tirei várias fotos interessantes, assim como às estufas meio arruinadas com os canos cheios de ferrugem. Tudo isto tem um caché, patine, o que lhe quiserem chamar e só se descobre aos poucos, quando temos tempo para observar o que nos rodeia. Não gosto muito de visitas guiadas a locais desta cidade - mas não sou contra - pois não me permitem ver as coisas como eu gosto e é muita gente, muito barulho, muito social. Já nas viagens que fiz com o meu ex- nos queixávamos do espírito de excursão, com tempo determinado para tudo. No Muro das Lamentações, em 2000, deram-nos vinte minutos para meditar!! Nunca lhes perdoarei.


Hoje está um dia parado no tempo. As árvores não bulem, o carvalho aqui em frente, que ainda mês passado ostentava folhas laranja e vermelhas, parece uma estátua de encontro ao céu de chumbo. Lindo!

Friday, May 14, 2010

Casario do Porto - Foto de Pedro Freire de Almeida. Pintura minha



A fotografia que consta deste conjunto é mais uma obra de arte do meu amigo Pedro, que escreveu um texto a acompanhá-la. Penso que é possível lê-lo clicando na foto. Espero que sim, porque é este o processo narrativo das PortoGrafia, exposição donde foi extraída esta fotografia.

A tentação foi grande e ontem resolvi pintar o casario, convencida de que não ia dar muito trabalho. Já uma vez, afinal, tinha pintado um quadro muito maior do casario da Ribeira a pastel de óleo, quadro esse que ofereci à minha nora que é tripeira. Enganei-me, deu-me mais trabalho do que parece, talvez por ter sido desenhado à vista e sem qualquer cópia por cima, como fazem no atelier. As proporções têm de ser bem estudadas, de modo a que fiquem esteticamente bem.


Esta é aúltima versão, um pouco diferente da anterior

Não desgosto. Espero que o Pedro ache graça....

Bom fim de semana!

Wednesday, May 12, 2010

NADIR AFONSO



Completa este ano 90 anos, um dos maiores pintores portugueses, que tive o prazer de conhecer pessoalmente quando vivi em Chaves, em 1977-79.
A sua biografia é concludente, a sua obra inimitável. Este ano comprei um livro sobre o Porto só com pinturas feitas por Nadir e encantam-me.


Vai aqui uma pequena homenagem a este pintor de Chaves, que se formou na ESBAP - Escola Superior de Belas Artes do Porto, se internacionalizou em Paris e no Brasil, sendo conhecido mundialmente tanto na arquitectura como na pintura.

Da Wikipédia:

Nadir Afonso (Chaves, 1920) é um arquitecto e pintor português.
Diplomou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto.
Realiza as primeiras exposições como aluno da Escola de Belas-Artes participando em todas as exposições do Grupo dos Independentes até 1946.
Em 1946, estuda pintura na École des Beaux-Arts em Paris, e obtém por intermédio de Portinari uma bolsa de estudo do governo francês e até 1948 e em 1951 foi colaborador do arquitecto Le Corbusier, tendo se servido por algum tempo do atelier Ferdinand Léger.
De 1952 a 1954, trabalhou no Brasil com o arquitecto Oscar Niemeyer.
Nesse ano, regressou a Paris, retomando contacto com os artistas orientados na procura da arte cinética, desenvolvendo os estudos sobre pintura que denomina "Espacillimité".
Na vanguarda da arte mundial, expõe, em 1958, no Salon des Réalités Nouvelles, o trabalho "espacillimités", animado de movimento.
Em 1965, Nadir Afonso abandona definitivamente a arquitectura; consciente da sua inadaptação social, refugia-se pouco a pouco num grande isolamento e acentua o rumo da sua vida exclusivamente dedicado à criação da sua obra.
Em Janeiro de 2009 foi apresentado em Chaves o projecto da autoria de Siza Vieira da sede da Fundação Nadir Afonso, um empreendimento orçado em 8,5 milhões de euros e que deverá abrir ao público em 2011.

Thursday, February 4, 2010

Chuva de bétulas


A moda pegou e agora no atelier até se discutem os direitos de autor das bétulas....:)))

Hoje houve uma pequena conversa do professor e alunas sobre o que se deve ou não fazer em relação a copiar ou servir-se de ideias de outrem, por vontade de aprender mais ou de produzir algo de que se gosta. Havia quem achasse que não se deve pedir aos outros licença para fazer igual ou tirar os modelos, havia quem pusesse tudo à disposição dos colegas, no sentido de ajudar, de fornecer ideias, de partilhar experiências. A minha opinião é a de que há limites quer de "aproveitamnto" das oportunidades, quer de "generosidade" de quem oferece. Se não houvesse expos em que estamos todos a participar, cada um guardava em casa as suas obras e os outros até podiam não as ver. Havendo expos, gostamos todos de ver o que todos fazemos e , portanto, torna-se aborrecido surgirem 3 obras muito parecidas ou iguais.

Penso que o estilo de cada um é diferente e nunca uma será igual a outra. Embora me baseie em fotos, modifico-as sempre e às vezes até coloco a pintura no Woophy dedicada ao fotografo que "copiei". Muitos ficaram meus amigis e acharam que era uma honra. Mas uma coisa é copiar de uma foto inspiradora, outra é imitar um quadro, usar as mesmas cores, os mesmos desenhos ou o estilo igual.

Com isto tudo, várias colegas trouxeram fotos de betulas e eu aproveitei para fazer este quadro, que está bastante diferente da foto, mas que ficou colorido e bonito.

Porto - o início do Caminho de Santiago

Como sabem a nossa exposição do Xacobeo vai percorrer várias cidades até Santiago de Compostela. De momento está em Ponte do Lima, onde pode ser vista na Cadeia Velha, um local muito interessante para este tipo de exposição. No sábado haverá uma pequena apresentação e Porto de Honra no local. A Porto Canal realizou entrevistas que constam dum video. Este já se pode ver em no blog do site da Utopia ( ver site à direita). É bastante completo.

Entretanto encontrei no Youtube uma filme sobre a Ribeira, início do Caminho, que é simples e muito bonito. Fica aqui para os amantes desta cidade.

Wednesday, January 27, 2010

A minha cidade



( Foto minha tirada do cais de Gaia)

Não é aquela onde nasci, Lisboa, a capital, o centro do Universo português. A minha cidade é o Porto - Home is where you are happy - e desejo viver aqui até ao fim dos meus dias. Amo esta cidade, sinto-a como minha, e por isso resolvi hoje prestar-lhe homenagem, usando um poema lindíssimo que encontrei num blogue e que vai devidamente identificado. Ele diz quase tudo o que me vai na alma.

"A minha cidade"

A minha cidade não se chama Lisboa,
não tem cheiro a sul
e nem por ela passa o Tejo,
mas como ela, tem Nascentes
leitosos e marmóreos...
Na minha cidade os Poentes são de ouro
sobre o Douro e o mar
e só ela tem a luz do entardecer
a enfeitar o granito...
Na minha cidade, tal como em Lisboa
há gaivotas e maresia
mas não há cacilheiros no rio
há rabelos
transportando nectar e almas...
Da minha cidade nasce o Norte
alcantilado, insubmisso
e o sol, quando chega, penetra-a
delicadamente, carinhosamente,
depois de vencido o nevoeiro...
Na minha cidade também há pregões,
gatos, pombas, castanhas assadas e iscas
e fado pelas vielas, pendurado com molas,
como roupa a secar nos arames...
A minha cidade tem também tardes languescentes,
coretos nas praças
velhos jogando cartas em mesas de jardim
e o revivalismo de viuvas e solteironas
passeando de eléctrico...
É bem verdade que na minha cidade
a luz, não é como a de Lisboa
mas a luz da minha cidade
é um frémito de amor do astro-rei
a beijá-la na fronte, cada manhã!...


Maria Mamede

site http://mulher50a60.weblog.com.pt/arquivo/2005/01/a_minha_cidade.html

Obrigada, Maria!